O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano e manteve, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, a possibilidade de realizar um novo corte na reunião de novembro.
Para Serrano, o colegiado repetiu a estratégia de adotar um comunicado mais enxuto. “Tivemos a mesma mensagem da comunicação passada”, afirmou durante o Giro Especial do Copom, programa do Money Times no YouTube.
O economista destacou o trecho em que o Copom afirma que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Na avaliação dele, a formulação deixa aberta a possibilidade de uma nova redução ou de manutenção dos juros no próximo encontro.
“O Copom deixa uma porta aberta para fazer o que for necessário, seja um novo corte nos juros ou não no próximo encontro”, disse Serrano.
O cenário de desaceleração da atividade econômica, segundo o economista, indica que a política monetária está produzindo efeito. Após a decisão, o Banco Bmg manteve a projeção de mais um corte na Selic em novembro e de uma pausa na reunião seguinte. Nesse cenário, a taxa chegaria a 13,50% ao ano em dezembro deste ano.
Pausa estratégica
Serrano afirmou que o Copom pode adotar uma “pausa estratégica” nas decisões de dezembro deste ano e janeiro de 2027 para avaliar os impactos do El Niño e de um possível reajuste nos preços dos combustíveis, diante da cotação mais elevada do barril de petróleo.
De acordo com ele, há uma defasagem superior a 100% no diesel e de 40% na gasolina em relação aos preços internacionais. Um eventual reajuste poderia aumentar a pressão sobre a inflação e influenciar a condução da política monetária.
O economista acrescentou que uma piora na inflação de serviços e nas expectativas poderia levar o Banco Central a interromper o processo de cortes para avaliar o cenário.
Influência do exterior
O Federal Reserve elevou os juros em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4,00%, e sinalizou uma nova alta até dezembro deste ano. Para Serrano, juros mais altos nos Estados Unidos podem fortalecer o dólar, reduzir o apetite por mercados emergentes e pressionar o real, com possíveis efeitos sobre a inflação dos bens industriais.

