A Conferência Municipal de Educação de Parauapebas terminou na noite de quinta-feira, 30 de outubro, com o plenário da Câmara Municipal praticamente vazio. Os delegados chegaram às 7h, e a votação final foi concluída perto das 23h.
Por volta das 18h, a mesa diretora interrompeu a leitura do documento após pedidos de adiamento. A continuidade foi submetida a votação: 69 delegados votaram a favor, 50 contra e cinco se abstiveram. Naquele momento, havia 124 participantes votando.
A conferência discute o Plano Municipal de Educação, lei que orientará a rede de ensino pelos próximos dez anos. Durante a transmissão oficial da Câmara, uma delegada questionou a votação com o plenário esvaziado e afirmou que a situação favorecia o governo.
Também houve críticas à organização. Uma professora disse que os servidores só foram liberados às 14h do dia anterior e que, por isso, o trabalho dos 14 grupos ficou comprimido. Um representante da coordenação chamou de irresponsabilidade a saída de participantes; outra delegada contestou a atribuição de responsabilidade a educadores ausentes.
No debate sobre financiamento, participantes cobraram propostas aprovadas nos grupos de trabalho que, segundo eles, não constavam na planilha projetada. Entre os dados apresentados pelo grupo de educação infantil, Parauapebas atende 13% da demanda por creche. A meta nacional citada é de 60%, enquanto o município estabeleceu 38% até o fim do plano.
Ao fim da noite, foi aprovada uma moção apresentada pelo professor Eduardo Salazar. O texto pede apuração de relatos de assédio moral na escola Maria Salete Moreno e de abuso de poder na escola Oziel Alves, com escuta dos envolvidos e proteção contra retaliação. A moção não atribui essas condutas ao prefeito Aurélio Goiano.
O documento também questiona o alinhamento político do prefeito e da Secretaria Municipal de Educação e cobra esclarecimentos sobre suposto loteamento de secretarias entre vereadores. Pede ainda que a moção seja registrada nos anais da conferência e encaminhada ao Executivo, à Semed e ao Conselho Municipal de Educação.
A Semed, comandada por Maura Regina Paulino Ferreira, é alvo do Requerimento 455/2026, que pede a abertura de uma CPI da Educação. Dez vereadores assinaram o pedido em outubro. Em 13 de outubro, a base do prefeito barrou a convocação da secretária ao plenário.
A minuta do Plano Municipal de Educação ainda será redigida, passará pelo Conselho Municipal de Educação e seguirá para votação na Câmara. A Prefeitura e a Semed foram procuradas, e o espaço permanece aberto para manifestação.

