A partir de quarta-feira, 7 de maio, 133 cardeais com menos de 80 anos se reunirão na Capela Sistina, no Vaticano, para escolher o sucessor do papa Francisco. O conclave será fechado ao público e à imprensa. Os cardeais permanecerão isolados, sem acesso a celulares, internet, televisão ou qualquer contato com o mundo exterior.
O futuro líder da Igreja Católica será escolhido em um processo que remonta à Idade Média. O sistema consiste em votações diárias: duas pela manhã e duas à tarde, exceto no primeiro dia, que conta com apenas uma votação. Após cada rodada, as cédulas são queimadas e a cor da fumaça indica o andamento da escolha — preta, sem consenso; branca, novo papa eleito.
Perfil do novo pontífice ainda é incerto
O sucessor de Francisco poderá seguir uma linha mais conservadora ou moderada. Especialistas descartam a possibilidade de um novo pontífice com o mesmo ímpeto reformista do argentino Jorge Bergoglio, eleito em 2013. Ainda assim, o conclave continua sem favoritos claros.
Entre os nomes cotados estão os italianos Pietro Parolin e Pierbattista Pizzaballa, o maltês Mario Grech, o arcebispo de Marselha Jean-Marc Aveline e o filipino Luis Antonio Tagle. Apesar das apostas milionárias, não há candidaturas oficiais. Segundo o vaticanista Marco Politi, o próximo papa surgirá de um consenso entre cardeais que não querem avanços bruscos, tampouco retrocessos significativos.
Um conclave mais internacional do que nunca
Francisco nomeou a maioria dos cardeais com direito a voto. Muitos deles são oriundos de regiões historicamente periféricas da Igreja, como África, Ásia e América Latina. O conclave de 2025 será o mais diverso da história, com representantes de 70 países.
Alguns cardeais se conhecem apenas agora, durante as congregações gerais que antecedem o conclave. Nessas reuniões a portas fechadas, são discutidos temas como crise nas vocações, escândalos de pedofilia, papel das mulheres e desafios ambientais. Essas conversas ajudam os eleitores a formarem suas opiniões sobre possíveis nomes para o cargo máximo da Igreja.
Expectativa global pela fumaça branca
Enquanto isso, milhares se concentrarão na Praça São Pedro e milhões acompanharão pela televisão o desenrolar do processo. A atenção se voltará para a pequena chaminé da Capela Sistina, símbolo da tradição secular que indica, com fumaça branca, a definição do novo chefe da Igreja Católica.
Cardeais ouvidos pela imprensa afirmam que o processo pode durar entre dois e três dias, mas admitem que o tempo pode se estender. O objetivo é alcançar um consenso que una os diferentes grupos dentro do colégio cardinalício, garantindo os dois terços necessários — 89 votos — para eleger o 267º papa.
