Um grupo de cirurgiões na Índia realizou uma das operações mais singulares já registradas na odontologia mundial. Uma criança de sete anos teve 526 dentes removidos da mandíbula durante um procedimento realizado no Saveetha Dental College and Hospital, em Chennai. O tumor benigno retirado do maxilar foi classificado como odontoma composto, condição rara que surpreendeu especialistas.
Segundo informações da agência Reuters, o caso ganhou repercussão internacional pela complexidade e pelo número inédito de dentes encontrados dentro da massa tumoral. A operação foi conduzida pelo cirurgião bucomaxilofacial Senthilnathan, referência na área de cirurgia oral.
O menino chegou ao hospital apresentando inchaço no lado direito do maxilar e ausência de erupção dos dentes permanentes. Exames de imagem, incluindo radiografias e tomografias, identificaram uma massa com aproximadamente 200 gramas na mandíbula inferior. O diagnóstico confirmou a presença de um odontoma composto.
A cirurgia teve duração de cinco horas. O procedimento exigiu extrema precisão para preservar os dentes normais da criança, que ao final manteve 21 elementos dentários em perfeitas condições. Após a extração, o material foi enviado para análise em laboratório.
No processo de investigação patológica, coordenado pela especialista Pratibha Ramani, foram contabilizadas 526 estruturas semelhantes a dentes, variando entre 0,1 mm e 15 mm. Cada unidade apresentava coroa, raiz e esmalte, características idênticas às de dentes humanos. O trabalho de triagem e contagem levou mais cinco horas em laboratório.
O caso foi reconhecido como o maior registro mundial de odontoma composto, superando um episódio anterior em Mumbai, em 2014, quando foram retirados 232 dentes de outro paciente. Para a literatura médica, o caso indiano representou um marco histórico.
A recuperação da criança foi considerada exemplar. Três dias após a cirurgia, o paciente recebeu alta sem necessidade de reconstrução mandibular. O acompanhamento odontológico segue de forma periódica, com possibilidade de futuros tratamentos protéticos.
Embora as causas não tenham sido determinadas, os médicos levantaram hipóteses genéticas e ambientais. Entre as possibilidades analisadas, mencionou-se até mesmo a exposição a radiação de torres de telefonia celular. Pesquisas adicionais foram propostas para avaliar tais fatores.
Atualmente, o garoto leva vida normal, sob observação de especialistas em odontologia. A intervenção bem-sucedida reforçou a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento clínico em casos de alterações incomuns no desenvolvimento bucal.
