A mobilização nas redes sociais passou a influenciar a pauta do Congresso e pode pressionar governos e parlamentares, avaliou Cila Schulman, CEO do Instituto Ideia. Em entrevista ao WW Especial, ela afirmou que o alcance político das plataformas vai além da disputa eleitoral e chega à formulação de políticas públicas.
Schulman comparou a relevância atual da mobilização digital à importância que já tiveram o palanque, o rádio e a televisão. Para ela, a tecnologia ampliou a participação popular e fortaleceu movimentos que muitas vezes surgem fora dos partidos e das campanhas.
Como exemplo, a pesquisadora mencionou Rick Azevedo (PSOL), que trabalhava como balconista de farmácia quando publicou no TikTok um vídeo sobre o que considerava uma carga de trabalho absurda. Segundo Schulman, o chefe respondeu que, para mudar aquela realidade, ele teria de mudar a lei.
Azevedo foi eleito deputado, e a pauta da escala 6×1 se tornou, de acordo com a entrevistada, um dos principais ativos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha. Schulman afirmou que a proposta foi aprovada no Congresso Nacional.
Na avaliação da CEO, o episódio evidencia que a relação entre opinião pública e políticas públicas passa cada vez mais pela capacidade de mobilização nas plataformas. Ela ressaltou que o fim da escala 6×1 não era originalmente uma bandeira de Lula, mas uma demanda que surgiu nas redes a partir de um trabalhador.
Schulman também afirmou que a pressão levou Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, a votar a proposta, embora fosse contrário a ela. A entrevista foi exibida no WW Especial, programa apresentado por William Waack aos domingos, às 22h, nas plataformas da CNN Brasil.

