O consumidor brasileiro encontrou algum alívio nos preços em agosto de 2026. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou queda de 0,32%, depois de avançar 0,07% em julho.
A conta de luz foi a principal responsável pelo resultado. A energia elétrica residencial ficou 7,63% mais barata no mês e retirou sozinha 0,33 ponto percentual do índice.
Os alimentos consumidos dentro de casa também ficaram mais baratos, com quedas expressivas da batata-inglesa, cenoura, cebola e tomate.
Na outra direção, o cigarro chamou atenção ao subir 19,59%, refletindo a elevação da tributação federal que passou a valer em 1º de agosto. O produto respondeu pelo maior impacto individual de alta sobre a inflação do mês, com 0,11 ponto percentual.
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IPCA caiu 0,32% em agosto
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA passou de alta de 0,07% em julho para queda de 0,32% em agosto.
Foi uma diferença de 0,39 ponto percentual entre os dois meses.
No acumulado de janeiro a agosto, a inflação ficou em 3,11%.
Em 12 meses, o índice desacelerou de 4,44% em julho para 4,22% em agosto. Com isso, permaneceu dentro do intervalo de tolerância da meta contínua de inflação, cujo teto é de 4,5%.
O resultado negativo de agosto também representa a primeira deflação mensal em cerca de um ano e a queda mais intensa do IPCA desde 2022.
Quais preços mais caíram em agosto?
Considerando os itens individuais do IPCA, a energia elétrica teve, de longe, o maior impacto para reduzir a inflação.
Confira algumas das principais quedas:
| Produto ou serviço | Variação em agosto | Impacto no IPCA |
|---|---|---|
| Energia elétrica residencial | -7,63% | -0,33 p.p. |
| Passagem aérea | -13,17% | -0,11 p.p. |
| Batata-inglesa | -19,89% | -0,05 p.p. |
| Tomate | -10,94% | -0,03 p.p. |
| Gasolina | -0,59% | -0,03 p.p. |
| Cebola | -11,07% | -0,02 p.p. |
| Etanol | -3,95% | -0,02 p.p. |
| Cenoura | -11,22% | -0,01 p.p. |
| Transporte por aplicativo | -4,57% | -0,01 p.p. |
| Ovo de galinha | -4,15% | -0,01 p.p. |
| Café moído | -1,86% | -0,01 p.p. |
É importante diferenciar variação percentual de impacto sobre o IPCA.
A batata, por exemplo, caiu quase 20%, percentual muito maior do que o recuo da energia. Mas a conta de luz tem peso muito superior no orçamento médio das famílias e, consequentemente, influencia mais o índice geral.
Conta de luz foi responsável pela maior parte da queda
A energia elétrica residencial recuou 7,63% e respondeu por impacto negativo de 0,33 ponto percentual.
O resultado foi causado principalmente pela incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas emitidas durante agosto.
O mecanismo distribui aos consumidores elegíveis parte do resultado positivo da Conta de Comercialização da Energia Elétrica de Itaipu.
Para 2026, a Aneel aprovou aproximadamente R$ 872 milhões para o bônus, com aplicação nas faturas emitidas entre 1º e 31 de agosto.
A estimativa era alcançar cerca de 83,8 milhões de unidades consumidoras residenciais e rurais, considerando os critérios definidos para o consumo registrado em 2025.
Desconto da energia foi temporário
Um detalhe é especialmente importante para quem olha o resultado de agosto.
A queda de 7,63% não corresponde a uma redução permanente das tarifas de energia elétrica.
O Bônus de Itaipu foi creditado especificamente nas contas de agosto.
Isso significa que, quando esse desconto deixa de aparecer nas faturas seguintes, a comparação mensal da energia tende a produzir o chamado efeito de devolução estatística.
Em outras palavras, mesmo sem um novo aumento estrutural da tarifa, o IPCA pode registrar avanço da energia no mês seguinte simplesmente porque a base de agosto estava artificialmente mais baixa pelo bônus.
Bandeira amarela continuou cobrando adicional
O desconto também ocorreu enquanto permanecia em vigor a bandeira tarifária amarela.
Segundo o IBGE, ela adicionava R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Ainda assim, o impacto do Bônus de Itaipu foi forte o suficiente para fazer a energia residencial cair 7,63% na média nacional.
Também ocorreram reajustes tarifários locais durante o mês, o que explica diferenças entre as regiões pesquisadas.
Alimentos ajudaram a derrubar a inflação
O grupo Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,34% em agosto.
Foi o terceiro mês consecutivo de redução de preços do grupo.
O principal movimento veio dos alimentos consumidos dentro de casa, que ficaram 0,61% mais baratos.
Os legumes e tubérculos tiveram algumas das quedas mais fortes.
A batata-inglesa despencou 19,89%, enquanto cenoura, cebola e tomate apresentaram recuos superiores a 10%.
O ovo de galinha caiu 4,15% e o café moído, 1,86%.
Nem todo alimento ficou mais barato
A deflação dos alimentos não foi generalizada.
O leite longa vida subiu 1,78%.
As frutas ficaram 0,84% mais caras e as carnes avançaram 0,61%.
A alimentação fora de casa também continuou em alta, embora tenha desacelerado.
O grupo passou de 0,55% em julho para 0,36% em agosto.
O lanche aumentou 0,62%, enquanto o preço médio das refeições avançou 0,18%.
Passagem aérea caiu mais de 13%
Transportes também ajudaram a produzir a deflação.
O grupo caiu 0,86% em agosto.
A passagem aérea apresentou redução média de 13,17%, retirando aproximadamente 0,11 ponto percentual do IPCA.
Foi o segundo maior impacto negativo individual do mês, atrás apenas da energia elétrica.
Os preços das passagens aéreas costumam oscilar bastante de um mês para outro, refletindo sazonalidade, demanda, antecedência das compras e estratégias comerciais das companhias.
Gasolina e etanol ficaram mais baratos
Os combustíveis recuaram 0,91% no conjunto.
O etanol caiu 3,95%, enquanto a gasolina ficou 0,59% mais barata e o diesel recuou 0,80%.
O gás veicular seguiu na direção contrária e subiu 2,62%.
O resultado dos combustíveis ajudou o grupo Transportes a fechar agosto no campo negativo.
Cigarro dispara 19,59%
Na ponta oposta, o cigarro foi o grande destaque de alta.
O preço subiu 19,59% em apenas um mês.
O movimento teve impacto de 0,11 ponto percentual sobre o IPCA, tornando o produto a principal pressão individual de alta em agosto.
O aumento foi tão expressivo que levou Despesas pessoais a registrar alta de 1,30%, a maior variação entre os nove grandes grupos pesquisados pelo IBGE.
Segundo o instituto, a variação do cigarro foi a maior registrada para um mês desde o início do Plano Real.
Por que o cigarro aumentou quase 20%?
A explicação está principalmente no Imposto sobre Produtos Industrializados, o IPI.
O Decreto nº 12.922, publicado em 7 de abril de 2026, aumentou a parcela específica do imposto cobrado sobre os cigarros.
Até 31 de julho, essa parcela era de R$ 2,25 por maço ou box.
A partir de 1º de agosto de 2026, passou para R$ 3,50.
A parcela ad valorem permaneceu em 66,7% dentro do regime previsto pela legislação.
A entrada em vigor da nova tributação coincidiu justamente com o período de coleta do IPCA de agosto e foi repassada aos preços ao consumidor.
Preço mínimo do cigarro também mudou em 2026
O mesmo decreto já havia estabelecido outra alteração.
Desde 1º de maio de 2026, o preço mínimo de venda no varejo de uma vintena de cigarros passou de R$ 6,50 para R$ 7,50.
Esse aumento ocorreu antes de agosto.
Já o salto observado especificamente no IPCA de agosto está associado à entrada em vigor da nova parcela específica do IPI em 1º de agosto.
A distinção é importante porque são duas alterações previstas no mesmo decreto, mas com datas diferentes.
O que mais ficou caro em agosto?
Além dos cigarros, outros itens exerceram pressões de alta, embora em intensidade muito menor.
| Produto ou serviço | Variação em agosto | Impacto |
|---|---|---|
| Cigarro | 19,59% | 0,11 p.p. |
| Conserto de automóvel | 1,35% | 0,02 p.p. |
| Carnes | 0,61% | 0,02 p.p. |
| Empregado doméstico | 0,56% | 0,02 p.p. |
| Cursos regulares | 0,52% | 0,02 p.p. |
| Plano de saúde | 0,42% | 0,02 p.p. |
| Leite longa vida | 1,78% | 0,01 p.p. |
| Frutas | 0,84% | 0,01 p.p. |
| Condomínio | 0,65% | 0,01 p.p. |
| Lanche | 0,62% | 0,01 p.p. |
A comparação deixa evidente o tamanho do impacto do cigarro.
Nenhum dos demais itens de destaque positivo contribuiu individualmente com valor próximo aos 0,11 ponto percentual do produto.
Quais grupos tiveram deflação?
Dos nove grupos que formam o IPCA, quatro apresentaram variação negativa em agosto.
Habitação caiu 1,87%, Transportes recuou 0,86%, Alimentação e bebidas teve queda de 0,34% e Comunicação apresentou redução de 0,09%.
A maior queda foi a de Habitação, justamente por causa da energia elétrica.
Segundo o IBGE, foi o menor resultado desse grupo para um mês de agosto desde o início do Plano Real.
Curitiba teve a maior deflação entre as regiões pesquisadas

O resultado também variou bastante pelo país.
Curitiba registrou o menor IPCA regional em agosto, com queda de 0,64%.
Na capital paranaense, a passagem aérea caiu 15,34% e a energia elétrica residencial recuou 7,73%.
Brasília, por sua vez, teve variação de -0,02%, mesmo com altas de 3,91% na gasolina e de 22,89% nos cigarros.
Esses dados mostram que a composição da inflação pode ser bastante diferente entre as regiões.
Deflação significa que tudo ficou mais barato?
Não.
Quando o IPCA fica negativo, significa que o conjunto de bens e serviços pesquisados apresentou queda média de preços.
Isso não significa que cada produto ficou mais barato.
Em agosto, enquanto energia, passagens aéreas, gasolina e diversos alimentos recuaram, cigarros, carnes, leite, planos de saúde, cursos e outros serviços ficaram mais caros.
O consumidor também pode perceber uma inflação diferente da média oficial dependendo da própria cesta de gastos.
Uma família que gasta proporcionalmente mais com alimentação e energia, por exemplo, pode ter sentido um alívio maior em agosto do que outra com despesas concentradas em serviços.
Queda da inflação em agosto tem componente temporário
O resultado de -0,32% é positivo para o poder de compra no mês, mas parte relevante da queda veio de um evento pontual.
A energia elétrica sozinha retirou 0,33 ponto percentual do IPCA.
Isso significa que, sem o efeito desse item, o índice de agosto teria ficado aproximadamente estável.
O Bônus de Itaipu não representa uma redução estrutural das tarifas e deixou de produzir o mesmo efeito depois das contas emitidas em agosto.
Os preços de alimentos e combustíveis, por sua vez, dependem de fatores como oferta agrícola, clima, câmbio e mercado internacional.
Por isso, uma deflação mensal não significa necessariamente que o Brasil entrou em um período prolongado de queda generalizada dos preços.
Inflação em 12 meses caiu para 4,22%
Mesmo com essa cautela, agosto ajudou a melhorar o resultado acumulado.
O IPCA em 12 meses desacelerou de 4,44% para 4,22%.
O número ficou abaixo do limite superior de 4,5% do intervalo de tolerância da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
No ano, porém, os preços ainda acumulam avanço de 3,11%.
Assim, a deflação de agosto representa uma redução do nível médio de preços em relação a julho, mas não elimina a inflação acumulada anteriormente.
Energia e alimentos deram alívio, mas cigarro seguiu na contramão
O IPCA de agosto deixa uma fotografia bastante clara do comportamento dos preços.
A conta de luz caiu 7,63% graças principalmente ao desconto temporário do Bônus de Itaipu. Alimentos importantes, como batata, tomate, cebola e cenoura, ficaram mais baratos. Passagens aéreas, gasolina e etanol também recuaram.
Esses movimentos foram suficientes para levar a inflação oficial a -0,32%.
Na outra ponta, o cigarro subiu quase 20% após a entrada em vigor da nova tributação federal e tornou-se a maior pressão positiva individual do mês.
O resultado trouxe alívio para o índice acumulado em 12 meses, que caiu para 4,22%, mas parte importante da deflação veio de um desconto temporário na energia.
Para os próximos meses, portanto, a atenção volta justamente para a conta de luz, além dos alimentos, combustíveis e serviços, que determinarão se a desaceleração observada em agosto conseguirá se manter.
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