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Cientistas decifram como plantas produzem um composto natural extremamente raro com potencial anticancerígeno ainda pouco explorado pela medicina

Pesquisadores canadenses conseguiram resolver um mistério biológico que intrigava cientistas há anos: como determinadas plantas tropicais produzem uma molécula rara associada a possíveis efeitos anticancerígenos e anti-inflamatórios. A descoberta foi feita por uma equipe da UBC Okanagan, no Canadá, e pode abrir caminho para formas…

Cientistas em laboratório de biotecnologia analisando uma planta medicinal rara utilizada na extração de compostos com propriedades anticancerígenas.
Pesquisadores desvendam o mecanismo biológico de plantas que produzem substâncias raras com alto potencial para a medicina oncológica.

Pesquisadores canadenses conseguiram resolver um mistério biológico que intrigava cientistas há anos: como determinadas plantas tropicais produzem uma molécula rara associada a possíveis efeitos anticancerígenos e anti-inflamatórios.

A descoberta foi feita por uma equipe da UBC Okanagan, no Canadá, e pode abrir caminho para formas mais sustentáveis e acessíveis de desenvolver futuros tratamentos derivados de compostos vegetais.

Até então, a comunidade científica sabia que certas plantas conseguiam produzir substâncias com enorme potencial farmacêutico, mas ainda não compreendia exatamente quais mecanismos moleculares estavam envolvidos nesse processo.

O composto raro que chamou atenção dos cientistas

A molécula estudada pelos pesquisadores é a Mitrafilina, uma substância natural encontrada em pequenas quantidades em árvores tropicais da família do café.

Ela pertence a um grupo de moléculas conhecidas como alcaloides espirooxindólicos, compostos reconhecidos pelas estruturas tridimensionais complexas e pelos efeitos biológicos potentes observados em pesquisas laboratoriais.

Estudos anteriores já apontavam que essas substâncias poderiam apresentar propriedades anti-inflamatórias e antitumorais. O problema é que a produção natural da mitrafilina acontece em quantidades muito pequenas, dificultando análises mais profundas e aplicações farmacêuticas em larga escala.

Foto: Reprodução/Shutterstock

Cientistas descobriram as “ferramentas” usadas pelas plantas

O avanço começou a ganhar forma quando pesquisadores identificaram enzimas específicas responsáveis por montar a estrutura química da molécula dentro das plantas.

Segundo a pesquisadora Thu-Thuy Dang, uma das enzimas atua organizando a molécula em uma estrutura tridimensional característica, enquanto outra finaliza a transformação na substância rara estudada pelos cientistas.

A descoberta foi comparada pelos próprios pesquisadores a encontrar peças que faltavam em uma linha de montagem extremamente complexa da natureza.

O doutorando Tuan-Anh Nguyen liderou parte da investigação responsável por identificar as enzimas envolvidas no processo.

Descoberta pode facilitar produção sustentável em laboratório

Com o “mapa molecular” da produção finalmente identificado, cientistas acreditam que será possível reproduzir a substância em laboratório de maneira mais sustentável, sem depender da extração em larga escala das plantas tropicais.

Isso é considerado importante porque muitos compostos naturais promissores aparecem apenas em quantidades mínimas na natureza, tornando a produção cara e limitada para estudos médicos.

Segundo os pesquisadores, a nova abordagem também utiliza princípios de química verde, buscando processos menos agressivos ao meio ambiente durante a fabricação das moléculas.

Plantas estudadas pertencem à mesma família do café

A mitrafilina aparece principalmente em espécies tropicais como a Mitragyna parvifolia e plantas do gênero Uncaria, conhecidas por compostos usados tradicionalmente em diferentes práticas medicinais.

Durante o estudo, os cientistas também realizaram o sequenciamento genético de algumas dessas espécies para entender melhor como ocorre a diversificação química das moléculas produzidas naturalmente pelas plantas.

A colaboração reuniu pesquisadores da UBC Okanagan e da Universidade da Flórida, além de apoio de instituições científicas do Canadá e dos Estados Unidos.

Descoberta pode ampliar pesquisas contra o câncer

Embora os estudos ainda estejam em fase inicial, os pesquisadores acreditam que a descoberta representa um passo importante para ampliar o acesso a compostos naturais com potencial terapêutico.

Além de facilitar futuras pesquisas anticancerígenas, a identificação dessas enzimas pode permitir a criação de novas moléculas derivadas da mitrafilina usando engenharia biotecnológica.

Segundo Thu-Thuy Dang, as plantas funcionam como verdadeiras “químicas naturais” e ainda escondem mecanismos extremamente sofisticados que podem inspirar novos tratamentos médicos nas próximas décadas.

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