Poucas capitais brasileiras nasceram de um projeto desenhado antes de crescer. Em vez de se formar apenas pela expansão espontânea, essa cidade foi planejada ainda no fim do século XIX para representar uma nova fase política, urbana e simbólica do país.
Com o tempo, o traçado organizado, os bairros arborizados, a vida cultural intensa e a força da cozinha mineira transformaram o destino em referência nacional. Hoje, ela é lembrada tanto por sua ligação com o modernismo quanto pela tradição dos botecos, que se tornaram parte importante da identidade local.
A cidade-jardim é Belo Horizonte
A cidade citada é Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Projetada em 1894 pelo engenheiro Aarão Reis e inaugurada em 12 de dezembro de 1897, ela foi criada para substituir Ouro Preto como capital do estado.
A escolha tinha relação com o momento político do país após a Proclamação da República, em 1889. Ouro Preto, antiga capital mineira, tinha limitações de relevo e crescimento. A nova capital, por outro lado, poderia ser planejada desde o início, com ruas largas, avenidas organizadas e uma estrutura mais adequada à ideia de modernidade da época.
Antes de se tornar Belo Horizonte, a região era conhecida como Curral Del Rey. O arraial havia surgido no início do século XVIII, em 1701, em uma área ligada à circulação de bandeirantes e à exploração mineral em Minas Gerais.
O plano urbano de Aarão Reis foi inspirado em modelos de capitais europeias e norte-americanas. A Avenida Afonso Pena, com 50 metros de largura, passou a funcionar como um dos principais eixos da cidade, ligando o centro a outras áreas importantes.
Pampulha colocou o modernismo brasileiro em destaque
A relação de Belo Horizonte com o modernismo ganhou força especialmente a partir da década de 1940. Em 1942, o então prefeito Juscelino Kubitschek convidou Oscar Niemeyer, ainda no começo da carreira, para projetar edifícios ao redor de uma lagoa artificial.
Dessa iniciativa nasceu o Conjunto Moderno da Pampulha, uma das obras mais importantes da arquitetura brasileira. O projeto reuniu nomes centrais da arte e do paisagismo no país, como Cândido Portinari, Roberto Burle Marx e Alfredo Ceschiatti.
A Igreja de São Francisco de Assis se tornou um dos símbolos mais conhecidos do conjunto. O edifício, com painéis de Portinari, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1947 e é considerado um marco da arquitetura moderna no Brasil.
Em 16 de julho de 2016, o Conjunto Moderno da Pampulha recebeu o título de Patrimônio Mundial da UNESCO, em Istambul. O reconhecimento reforçou a importância de Belo Horizonte no cenário do modernismo e destacou a Pampulha como uma paisagem cultural ligada ao patrimônio moderno.
Botecos, mercados e comida mineira viraram identidade
Além da arquitetura, Belo Horizonte também construiu uma fama nacional ligada à mesa. A cidade é conhecida pela forte presença dos botecos, que se tornaram pontos de encontro, convivência e celebração da culinária mineira.
A cultura de boteco foi reconhecida oficialmente por lei municipal em 2009. Esse movimento ajudou a consolidar a imagem da capital como referência nesse tipo de experiência, marcada por comida simples, ambiente descontraído e sociabilidade.
Entre os pratos e produtos mais associados a essa tradição estão:
- feijão tropeiro, preparado com feijão, farinha, ovo, torresmo e couve;
- torresmo de rolo, conhecido pela pele crocante e carne macia;
- pastel de angu, comum em bares e eventos gastronômicos;
- queijo Minas artesanal, reconhecido como patrimônio imaterial brasileiro pelo IPHAN;
- cachaças e produtos típicos encontrados no Mercado Central.
Belo Horizonte também é reconhecida pela UNESCO como Cidade Criativa da Gastronomia. O título reforça o peso da cozinha local na cultura urbana e no turismo.
Outro símbolo dessa cena é o Comida di Buteco, festival criado em Belo Horizonte em 2000. A iniciativa cresceu e passou a ocorrer em várias cidades brasileiras, levando a tradição dos bares mineiros para outras regiões do país.
O que ver em Belo Horizonte além dos bares
Belo Horizonte reúne cerca de 2,7 milhões de habitantes e tem Índice de Desenvolvimento Humano de 0,797, segundo dados citados pelo IBGE no texto de referência. A cidade fica a uma altitude média de 858 metros, o que contribui para um clima mais ameno, com inverno seco e verão chuvoso.
A capital também chama atenção por áreas verdes, mirantes e espaços culturais. A Lagoa da Pampulha tem um calçadão de cerca de 18 km, muito usado para caminhadas e corridas nos fins de semana.
Entre os pontos mais conhecidos estão o Mercado Central, aberto desde 1929, o Circuito Cultural Praça da Liberdade, com 15 espaços culturais em prédios históricos, e o Parque das Mangabeiras, localizado aos pés da Serra do Curral.
O Mercado Novo, no centro, também ganhou destaque após ser revitalizado e passou a reunir gastronomia autoral, design e novos negócios. Já a Feira Hippie, realizada aos domingos na Avenida Afonso Pena, é considerada uma das maiores feiras a céu aberto da América Latina.
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