A China proibiu a aquisição da divisão de robótica da suíça ABB pelo grupo japonês SoftBank, em uma operação avaliada em US$ 5,4 bilhões. A decisão foi tomada após uma análise de segurança de investimentos estrangeiros e envolve preocupações com dados e transferência de tecnologia.
Segundo a Reuters, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC) vetou o negócio. As autoridades temem que informações geradas pelas operações de robótica da ABB no país sejam transferidas ao exterior e possam ser usadas no treinamento de modelos de inteligência artificial.
Pequim também demonstra preocupação com os vínculos do SoftBank com empresas ocidentais, especialmente a OpenAI, da qual o grupo japonês é um dos principais investidores. A decisão ocorre ainda em meio à deterioração das relações entre China e Japão, após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan.
A divisão da ABB fornece robôs industriais e equipamentos de automação para setores como o automotivo, eletrônico e de logística. A China responde por aproximadamente 30% dos negócios de robótica da companhia. A ABB mantém cerca de 15 mil funcionários no país, distribuídos em aproximadamente 30 empresas locais, além de centros de pesquisa e produção.
O SoftBank anunciou a compra em outubro de 2025, com conclusão prevista para a segunda metade de 2026, sujeita à aprovação regulatória. Para Masayoshi Son, fundador e CEO do grupo, a operação aproximaria a inteligência artificial de equipamentos físicos, incluindo robôs para ambientes industriais e comerciais.
O veto não representa necessariamente o encerramento definitivo das negociações. A ABB informou que mantém diálogo com o SoftBank e trabalha para encontrar uma solução.

