# Ceará tem mais famílias no Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada

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- Published: 2025-06-09T12:03:04-03:00
- Author: Nordeste7

Mesmo com o aumento da formalização do trabalho em todo o Brasil, o estado do Ceará
ainda mantém um cenário em que o número de famílias beneficiadas pelo [Bolsa Família](https://nordeste7.com.br/familias-com-criancas-pequenas-podem-receber-r-150-adicionais-no-bolsa-familia/)
supera o total de [trabalhadores formais](https://nordeste7.com.br/novo-valor-do-seguro-desemprego-ja-esta-valendo-saiba-quem-tem-direito-e-como-pedir/)
com [carteira assinada](https://nordeste7.com.br/veja-como-contratar-o-emprestimo-consignado-com-juros-menores-e-saldo-do-fgts-como-respaldo/).
Conforme dados de agosto de 2024, o estado conta com 1.460.164 beneficiários do 
[programa social](https://nordeste7.com.br/pagamento-de-ate-r-950-sera-feito-pelo-governo-para-familias-que-seguirem-requisito-confira/),
enquanto o número de empregos formais é de 1.397.513. A diferença registrada é de
62.651 famílias a mais recebendo o auxílio.

## Ceará está entre os 12 estados com mais beneficiários do que empregos

Segundo levantamento, o Ceará integra a lista dos 12 estados brasileiros em que 
o número de beneficiários do [Bolsa Família](https://nordeste7.com.br/familias-com-criancas-pequenas-podem-receber-r-150-adicionais-no-bolsa-familia/)
ultrapassa o total de empregos formais no setor privado. Essa condição evidencia
um desequilíbrio persistente, mesmo com a recuperação econômica observada no país
desde o fim da pandemia de covid-19.

Antes da crise sanitária, apenas oito estados apresentavam esse tipo de distorção.
No auge da pandemia, em 2022, a quantidade subiu para 13 estados. Em 2024, após 
avanços nos dados do Rio Grande do Norte, esse número caiu para 12. Contudo, o Ceará
permanece entre os estados com essa relação desfavorável entre renda assistencial
e [emprego formal](https://nordeste7.com.br/com-novas-regras-quem-assinar-carteira-nao-perde-mais-o-bolsa-familia-medida-entra-em-vigor-em-julho-entenda/).

## Avanço da formalização no país contrasta com situação no Ceará

Conforme divulgado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o 
Brasil criou cerca de 4 milhões de vagas formais desde janeiro de 2023. Paralelamente,
1,1 milhão de cadastros do Bolsa Família foram encerrados, a maioria relacionada
a [famílias unipessoais](https://nordeste7.com.br/revisao-no-bolsa-familia-pode-excluir-mais-de-500-mil-familias-do-programa/)
com possíveis irregularidades.

Esses ajustes reduziram a proporção nacional de beneficiários do programa em comparação
ao total de empregados com [carteira assinada](https://nordeste7.com.br/veja-como-contratar-o-emprestimo-consignado-com-juros-menores-e-saldo-do-fgts-como-respaldo/).
Em janeiro de 2023, esse percentual era de 49,6%. Em agosto de 2024, caiu para 42,6%.
Ainda assim, o Ceará apresenta um número superior de dependentes do benefício em
relação à população com vínculo trabalhista formal.

## Comparativo nos estados do Nordeste mostra tendência regional

O quadro encontrado no Ceará se repete em diversos estados do Norte e Nordeste. 
Entre os estados nordestinos com mais famílias no Bolsa Família do que empregos 
formais estão Maranhão, Bahia, Piauí, Paraíba, Alagoas, Pernambuco e Sergipe. O 
Rio Grande do Norte foi o único da região a inverter esse cenário recentemente.

### Tabela comparativa entre beneficiários e empregos formais nos estados do Nordeste:

| Estado | Beneficiários | Empregos Formais | Diferença | 
| Maranhão | 1.224.032 | 659.163 | +564.869 | 
| Bahia | 2.456.516 | 2.133.391 | +323.125 | 
| Piauí | 595.844 | 363.889 | +231.955 | 
| Paraíba | 667.588 | 507.458 | +160.130 | 
| Ceará | 1.460.164 | 1.397.513 | +62.651 | 
| Alagoas | 533.819 | 448.026 | +85.793 | 
| Pernambuco | 1.575.188 | 1.500.459 | +74.729 | 
| Sergipe | 377.163 | 336.199 | +40.964 | 
| Rio Grande do Norte | 500.089 | 528.261 | -28.172 (saldo positivo) |

## Programa mantém papel relevante, mesmo com cortes e fiscalizações

Atualmente, o Bolsa Família atende 21,76 milhões de famílias em todo o país, com
repasses mensais de R$ 14 bilhões. Apesar das fiscalizações mais rigorosas e dos
cortes realizados, o programa permanece como uma ferramenta de apoio importante 
para milhões de brasileiros.

Economistas e técnicos em políticas públicas avaliam que, embora o benefício cumpra
a função de garantir renda mínima, é necessário [investir em ações](https://nordeste7.com.br/como-investir-com-pouco-dinheiro-estrategias-acessiveis-para-iniciantes/)
que estimulem a geração de emprego e a qualificação profissional, especialmente 
nos estados com maior número de beneficiários em relação aos empregos formais.
