A Caixa Econômica Federal decidiu reabrir a negociação coletiva com as entidades que representam seus empregados e suspender as medidas administrativas anunciadas durante o impasse sobre o novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026.
A mudança ocorre após a mobilização dos trabalhadores e a pressão das organizações sindicais pela retomada do diálogo. Em comunicado enviado aos empregados, o banco informou que recebeu uma solicitação formal para voltar à mesa de negociação e destacou a importância de manter canais permanentes de interlocução com as entidades representativas.
A decisão representa uma mudança importante no cenário que havia se formado após o encerramento de uma etapa das tratativas. A greve dos empregados da Caixa começou em 10 de setembro, depois que a categoria rejeitou a proposta apresentada pelo banco.
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O que muda com a retomada das negociações
Com a reabertura da mesa, ficam suspensas, enquanto as tratativas estiverem em andamento, as medidas administrativas previstas na CE VIPES 11183/2026.
Na prática, a Caixa interrompe temporariamente os efeitos das providências que haviam sido comunicadas aos empregados após o fim da etapa anterior da negociação. A suspensão está vinculada à continuidade do processo de diálogo e não significa que o novo ACT já tenha sido fechado.
O banco também informou que irá adotar medidas para permitir a prorrogação excepcional dos benefícios atualmente disponibilizados aos empregados. A intenção é preservar, durante o período de negociação, as condições que estavam em vigor antes de 31 de agosto de 2026.
Isso é relevante porque a negociação coletiva da Caixa envolve não apenas reajustes e verbas financeiras, mas também diversas cláusulas relacionadas às condições de trabalho e benefícios dos empregados.
A própria Caixa explica que a negociação coletiva ocorre anualmente na data-base da categoria bancária e envolve cláusulas econômicas e sociais. As propostas negociadas com as entidades representativas são posteriormente submetidas à avaliação dos trabalhadores em assembleias.
Saúde Caixa continua como principal ponto de conflito
Entre os assuntos que ainda precisam ser solucionados está o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados da instituição.
O tema ganhou peso nas negociações porque envolve o equilíbrio financeiro do benefício e a divisão dos custos entre a Caixa e os trabalhadores. A proposta apresentada pelo banco em setembro previa elevar de 6,5% para 8% o limite de custeio da Caixa em relação à folha de pagamento, mas também estabelecia mudanças nas contribuições dos empregados e dos dependentes.
Para as entidades sindicais, entretanto, a discussão não deve se limitar a uma alteração imediata nos percentuais de contribuição. O objetivo é encontrar um modelo que garanta a sustentabilidade do plano sem transferir uma parcela excessiva dos custos para os beneficiários.
A preocupação também alcança aposentados e demais usuários do Saúde Caixa, que podem ser particularmente afetados por mudanças na forma de custeio. A CONTEC já vinha defendendo alterações que levassem em consideração a proteção dos aposentados e a necessidade de uma solução de longo prazo para o plano.
O que acontece com o ACT 2026 agora
A reabertura da mesa não significa que todos os pontos do ACT foram resolvidos. O processo volta para uma etapa de negociação, na qual Caixa e entidades representativas poderão discutir novamente os itens que permaneceram sem consenso.
Entre os temas que estavam no centro das tratativas estão remuneração, benefícios e as condições do Saúde Caixa. A proposta apresentada anteriormente pelo banco também previa prêmio de R$ 3 mil por empregado e pagamento da PLR, entre outros itens, mas acabou rejeitada pelos trabalhadores.
A retomada, portanto, cria espaço para que as partes tentem construir uma nova solução antes de uma eventual disputa judicial sobre a paralisação ou sobre as cláusulas do acordo.
Para os empregados, o ponto mais imediato é a suspensão das medidas administrativas e a tentativa de preservar os benefícios durante o período de negociação. Para as entidades sindicais, a prioridade passa a ser utilizar a nova rodada de diálogo para modificar os pontos considerados insuficientes.
Greve da Caixa ainda é acompanhada de perto
A reabertura das negociações não encerra automaticamente a mobilização dos trabalhadores. A paralisação nacional permanece como parte importante do contexto que levou à retomada da mesa.
A rejeição da proposta anterior ocorreu em assembleias realizadas pela categoria, e a greve continuou após a votação. A Caixa, por sua vez, deixou de avançar naquele momento para uma disputa judicial e optou pela retomada do diálogo com as representações dos empregados.
O desfecho dependerá, portanto, das próximas rodadas de negociação e da capacidade de Caixa e entidades sindicais chegarem a um texto que seja posteriormente submetido à categoria.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
