Enquanto esperava a chuva passar, Clara entrou em um sebo e comprou um caderno antigo de capa verde. Em casa, ao examinar as páginas, encontrou na primeira delas um sobrenome igual ao seu, uma assinatura, um endereço antigo ligado à família e uma data anterior ao seu nascimento.
Clara enviou uma fotografia da página à mãe, que reconheceu o nome como sendo de um tio falecido antes de a filha nascer. A família sabia que ele existira, mas não imaginava que o caderno tivesse sido preservado. A avó também examinou a assinatura e, segundo Clara, reconheceu detalhes da caligrafia.
As páginas continham registros de serviços, preços, nomes de vizinhos, uma receita de pão, listas de ferramentas, medidas de portas e lembretes. Esses apontamentos ajudaram a família a relacionar o caderno à rotina do tio, que fazia pequenos reparos em casas do bairro. Uma anotação sobre um brinquedo destinado a uma sobrinha despertou lembranças na avó.
A família não descobriu como o caderno chegou ao sebo. Após a morte do tio, alguns pertences foram distribuídos e outros guardados, mas não havia informações suficientes para reconstituir o caminho do objeto. Clara decidiu preservá-lo com uma fotografia antiga do parente e registrar separadamente as lembranças contadas pela avó, distinguindo o que ela reconhecia do que continuava incerto.

