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Cachês de até R$ 850 mil no São João entram na mira após superarem teto recomendado pelo TCE

As contratações artísticas para as festas juninas de Natal entraram em evidência após duas grandes atrações nacionais fecharem cachês de R$ 850 mil. O montante ultrapassa o teto referencial de R$ 700 mil que havia sido recomendado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) em…

Palco de show lotado no São João sob luzes coloridas, representando as apresentações com cachês milionários sob investigação do TCE.
Festividades de São João enfrentam escrutínio de órgãos de controle por gastos com apresentações artísticas acima do limite recomendado.

As contratações artísticas para as festas juninas de Natal entraram em evidência após duas grandes atrações nacionais fecharem cachês de R$ 850 mil. O montante ultrapassa o teto referencial de R$ 700 mil que havia sido recomendado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) em abril.

O órgão de controle elaborou os limites financeiros com o objetivo de frear o aumento desproporcional nos custos dos eventos públicos deste ano. No entanto, por se tratar de uma diretriz orientadora e sem caráter obrigatório, ultrapassar esse teto não configura uma ilegalidade automática por parte da prefeitura.

Ao todo, o Diário Oficial do Município já publicou os valores de pelo menos 15 atrações que integram a programação da festa. A lista revela uma enorme disparidade financeira nas contratações, com cachês que começam na marca de R$ 5 mil e escalam até quase R$ 1 milhão.

Diário Oficial expõe abismo entre cachês de artistas nacionais e locais

Os dois maiores pagamentos da grade foram destinados às apresentações de Natanzinho Lima e da banda Calcinha Preta. Logo em seguida, o cantor Pablo aparece na lista com um cachê de R$ 700 mil, atingindo exatamente o limite máximo sugerido pela nota técnica do tribunal potiguar.

Outros nomes de peso do cenário musical nordestino também garantiram fatias expressivas do orçamento da festa, como Henry Freitas, contratado por R$ 600 mil, e Mano Walter, com R$ 400 mil. Atrações tradicionais como Limão com Mel e Cavaleiros do Forró fecharam por R$ 350 mil e R$ 180 mil, respectivamente.

Na outra extremidade da tabela, os músicos locais figuram com as menores remunerações divulgadas até o momento pela administração municipal. O sanfoneiro Zé Hilton do Acordeon recebeu R$ 7,5 mil pelo show, enquanto o menor valor registrado foi o do músico Papel Gomes, pago com R$ 5 mil.

Nota técnica do tribunal usou arrecadação municipal como critério

A recomendação do TCE-RN foi firmada por meio de uma nota técnica conjunta que usou o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) como régua para os gastos. O índice serve para medir a real capacidade econômica de cada cidade antes de investir verba pública em festas.

Os tetos sugeridos pelo estudo variam de R$ 300 mil a R$ 700 mil, dependendo diretamente do porte financeiro de cada prefeitura do estado. O tribunal reforçou que cabe aos prefeitos e gestores avaliar a saúde fiscal de seus municípios e assegurar que as contratações não prejudiquem serviços essenciais.

Mesmo sem a imposição de punições automáticas pelo descumprimento do teto, as planilhas seguem monitoradas pela equipe técnica do órgão governamental. O foco da fiscalização é garantir a transparência nos contratos e evitar abusos no uso do dinheiro público durante o período de festas.

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