O Brasil está entre os dez mercados mais importantes da Logitech no mundo, segundo Yalcin Yilmaz, diretor comercial global da empresa. Em sua primeira visita ao país, o executivo afirmou que a companhia pretende ampliar a atuação local, com foco nos segmentos corporativo e de games.
A avaliação ocorre em um momento de crescimento dos resultados globais da fabricante. No primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, a Logitech registrou receita de US$ 1,23 bilhão, alta de 7% na comparação anual, e lucro operacional ajustado de US$ 290 milhões, avanço de 44%.
“O Brasil é um dos dez países mais importantes para nós. É um mercado muito relevante do ponto de vista estratégico. Estamos investindo no país e vemos muitas oportunidades”, afirmou Yilmaz.
Foco em empresas e games
No segmento corporativo, a empresa vê oportunidades associadas à retomada do trabalho presencial nos grandes centros e à consolidação de modelos híbridos. A estratégia inclui equipamentos para videoconferências, salas de reunião e estações de trabalho. Segundo Yilmaz, a demanda passou a envolver ambientes integrados, além de dispositivos individuais.
“O trabalho híbrido passou a fazer parte da nossa vida. Ao mesmo tempo, há um movimento de retorno aos escritórios. Estamos muito focados nessa área”, disse o executivo.
A divisão de games cresceu 12% no primeiro trimestre fiscal, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já a área de dispositivos apontadores, que inclui mouses, avançou 16%. Para Yilmaz, o mercado de games abrange também e-sports, streaming, produção de conteúdo e simuladores.
No Brasil, a Logitech identifica oportunidades entre consumidores ligados a jogos competitivos e mantém contato com jogadores profissionais e comunidades locais para acompanhar mudanças de comportamento e demandas por produtos. O executivo atribui o crescimento do segmento tanto à chegada de novos clientes quanto à troca de equipamentos por modelos mais avançados.
Preço e adaptação local
Impostos, câmbio e poder de compra tornam o Brasil mais sensível a preços do que outros mercados relevantes para a companhia, afirmou Yilmaz. A Logitech se posiciona como marca premium, mas mantém produtos em diferentes faixas de preço. “Nosso desejo é fazer com que a inovação chegue ao maior número possível de pessoas”, disse.
A empresa também busca aproveitar ciclos mais rápidos de desenvolvimento na China e aplicar parte do aprendizado em outros mercados, incluindo a América Latina. A iniciativa procura reduzir o intervalo entre inovação, lançamento e adaptação local.
No trimestre, a margem bruta ajustada foi de 49,8%, o fluxo de caixa operacional chegou a US$ 167 milhões e a empresa encerrou o período com US$ 1,75 bilhão em caixa. Yilmaz relacionou a melhora dos resultados à combinação de inovação e disciplina operacional. Ele também citou mudanças em tarifas comerciais, custos de componentes e logística como desafios do ambiente global, e apontou a diversificação de fornecedores como um recurso para lidar com oscilações na cadeia de suprimentos.
Para os próximos anos, a estratégia da Logitech prevê uma orientação global comum e mais autonomia para que equipes regionais adaptem portfólio, preços e prioridades às características de cada mercado.

