O bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu superou a oposição nas eleições de Israel, mas não alcançou a maioria necessária para controlar o Parlamento. Os resultados finais, publicados na madrugada desta sexta-feira (30), apontam 53 cadeiras para a coalizão de direita e extrema direita, entre as 120 do Knesset.
O Likud, partido de Netanyahu, foi o mais votado, com 27 deputados. Já o bloco oposicionista, liderado pelo centrista Gadi Eisenkot, obteve 48 cadeiras. Os partidos árabes Raam e Lista Unificada somaram 19 assentos e podem ter papel decisivo na formação do próximo governo.
Na quinta-feira, os partidos árabes foram alvo de acusações de fraude eleitoral difundidas pelo campo de Netanyahu. Autoridades e meios de comunicação afirmaram haver suspeitas de que as formações teriam recebido recursos do Catar para financiar compra de votos. Os partidos e o Catar rejeitaram as acusações.
Eisenkot, líder do partido Yashar, acusou Netanyahu de tentar “deslegitimar os resultados”. O serviço de inteligência interna Shin Bet informou que investiga suspeitas de irregularidades, mas afirmou que a apuração não busca “incriminar toda uma comunidade que votou de maneira democrática e legal”.
Sem citar diretamente as acusações contra os partidos árabes, o órgão eleitoral declarou que “determinadas informações que circularam carecem completamente de fundamento”. A investigação seguirá paralelamente ao trabalho da Comissão Eleitoral Central e, segundo o órgão, não afetará os resultados finais entregues ao presidente.
A contagem oficial será apresentada na quarta-feira ao presidente Isaac Herzog. Depois, ele consultará os líderes dos partidos com representação no próximo Knesset antes de encarregar um deles de tentar formar governo.
Sem maioria, as negociações podem durar semanas. Se fracassarem, Israel poderá realizar novas eleições, como já ocorreu diversas vezes ao longo de sua história.

