O aumento do nível do mar está acelerando em todo o planeta e já acende um alerta para cidades costeiras brasileiras. Entre elas está Santos, no litoral de São Paulo, onde o avanço das águas pode agravar problemas como erosão costeira, ressacas, alagamentos e danos à infraestrutura urbana.
O alerta aparece no 3º Relatório Mundial sobre a Situação do Oceano, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O documento reúne o trabalho de cerca de 600 especialistas de 86 países e é considerado uma das avaliações mais abrangentes sobre a saúde dos oceanos já realizadas.
Nível do mar está subindo mais rápido do que há uma década
Um dos dados que mais chamou atenção dos pesquisadores foi a aceleração do aumento do nível médio dos oceanos.
Segundo o relatório, antes de 2015 o mar subia menos de 2 milímetros por ano. Em 2023, esse ritmo chegou a 4,3 milímetros anuais, mais que o dobro do registrado na década anterior. Os cientistas atribuem essa mudança principalmente ao aquecimento global, que provoca a expansão térmica da água e acelera o derretimento de geleiras e mantos de gelo.
Embora o número pareça pequeno, especialistas destacam que o efeito acumulado ao longo dos anos aumenta significativamente os riscos para regiões costeiras densamente povoadas.
Por que Santos e a Baixada Santista preocupam os pesquisadores?
A Baixada Santista reúne características que a tornam particularmente vulnerável aos impactos da elevação do mar. A região concentra áreas urbanas próximas à costa, importantes atividades econômicas e o maior porto da América Latina.
O professor Ronaldo Christofoletti, do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), participou da elaboração do relatório e destacou que os dados são especialmente relevantes para cidades da região.
Com o avanço do mar, fenômenos como ressacas, erosão das praias e enchentes costeiras tendem a se tornar mais frequentes e intensos. Além dos impactos ambientais, o cenário pode gerar custos elevados para obras de contenção, recuperação urbana e adaptação da infraestrutura.
Turismo e economia também podem sentir os efeitos
O litoral paulista recebe milhões de turistas todos os anos e depende fortemente das atividades ligadas às praias, ao comércio e aos serviços.
O aumento da erosão costeira pode afetar faixas de areia, calçadões e estruturas próximas ao mar. Já os eventos climáticos extremos podem provocar interrupções em atividades econômicas e exigir investimentos cada vez maiores em manutenção e reconstrução de áreas afetadas.
Além disso, a elevação do nível do mar representa um desafio para sistemas de drenagem urbana, que passam a ter mais dificuldade para escoar a água durante períodos de chuva intensa.
Mudanças nos oceanos afetam a pesca e a biodiversidade
O relatório também destaca que o aquecimento das águas está alterando a distribuição de diversas espécies marinhas.
Peixes, crustáceos e outros organismos têm migrado para áreas mais frias, modificando ecossistemas e afetando atividades pesqueiras em várias partes do mundo. Segundo os pesquisadores, essa mudança pode gerar impactos econômicos para comunidades que dependem da pesca como fonte de renda.
A avaliação da ONU aponta ainda que a biodiversidade marinha sofre pressão crescente devido à combinação entre mudanças climáticas, poluição e exploração excessiva dos recursos naturais.
Manguezais aparecem como aliados no combate aos impactos
Apesar dos alertas, os cientistas destacam que algumas soluções naturais podem ajudar a reduzir os efeitos da elevação do mar.
Entre elas estão os manguezais, ecossistemas capazes de absorver carbono, proteger a costa contra a força das ondas e servir de berçário para diversas espécies marinhas.
Na Baixada Santista, especialistas apontam que a preservação dessas áreas pode funcionar como uma barreira natural contra ressacas e inundações, além de contribuir para a adaptação das cidades às mudanças climáticas.
Relatório faz alerta global para os próximos anos
Além da elevação do nível do mar, o documento aponta outros sinais de deterioração dos oceanos. Entre eles estão o aumento da temperatura das águas, a expansão da poluição por plásticos e microplásticos e a perda de biodiversidade em diversos ecossistemas marinhos.
Para os autores, o relatório funciona como um diagnóstico do estado atual dos oceanos e reforça a necessidade de ações coordenadas para reduzir os impactos das mudanças climáticas e proteger regiões costeiras cada vez mais expostas aos efeitos do avanço do mar.
