Uma autoridade saudita de alto escalão negou, nesta terça-feira (29), relatos de que representantes da Arábia Saudita tenham participado de uma reunião com autoridades israelenses durante a visita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aos Emirados Árabes Unidos. A imprensa israelense havia noticiado que o encontro teria incluído uma autoridade saudita.
Netanyahu esteve em Abu Dhabi no domingo e se reuniu com o presidente dos Emirados, xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan. Autoridades israelenses e emiradenses confirmaram o encontro, que não havia sido anunciado previamente.
A agência estatal WAM informou que os dois líderes conversaram sobre as relações bilaterais entre Emirados Árabes Unidos e Israel e sobre formas de fortalecê-las. O gabinete de Netanyahu declarou que a reunião tratou do fortalecimento dos laços entre os países e de desafios regionais. Uma fonte israelense ouvida no domingo afirmou que as discussões foram dominadas pelo Irã e pela cooperação entre os dois países.
A visita ocorre em meio à controvérsia em Israel sobre relatos de que Mohammed bin Zayed teria alertado Netanyahu, dias antes do ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023, sobre uma grande operação. Netanyahu negou repetidamente ter recebido avisos. Em publicação no X na segunda-feira (28), disse que não havia se encontrado nem falado com o chefe da inteligência egípcia antes do ataque e que nenhum alerta lhe fora transmitido.
Também foram divulgados relatos sobre avisos do Egito. A revista The Atlantic noticiou que o chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, viajou a Israel em 26 de setembro de 2023 para alertar que a situação em Gaza iria “explodir”. O The Wall Street Journal informou que houve pelo menos três alertas egípcios, incluindo um telefonema a Netanyahu poucos dias antes do ataque.
As alegações se tornaram tema da campanha eleitoral israelense, marcada para 27 de outubro. O partido Likud acusou o político palestino Mohammed Dahlan, radicado nos Emirados, de interferência estrangeira nas eleições, mas não apresentou provas. Os Emirados não negaram anteriormente a realização de uma ligação sobre o alerta, mas afirmaram que não comentam notícias ou especulações sobre conversas entre líderes.
