O artista italiano Salvatore Garau vendeu a escultura invisível intitulada “Eu Sou” por R$ 87 mil. A peça não possui forma física e foi “exposta” em um espaço vazio de 1,5m x 1,5m. O comprador recebeu apenas um certificado de autenticidade.
De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, a obra voltou a ganhar destaque em outubro de 2025 após viralizar em uma publicação do perfil britânico Pubity, que possui 40 milhões de seguidores e já acumula quase 1 milhão de curtidas.
Como funciona a escultura invisível
Segundo Garau, a escultura é composta de “ar e espírito”. O artista defende que o vazio é o que confere poder à obra, provocando percepção, reflexão e até desconforto.
O certificado de autenticidade descreve a peça como uma “escultura imaterial para ser colocada em um espaço livre de qualquer obstáculo”, com dimensões variáveis de aproximadamente 200 x 200 cm. O documento foi registrado sob o número IM5 e emitido em Milão.
Viralização e impacto cultural
A escultura foi leiloada inicialmente por 15 mil euros em 2021. Entretanto, voltou aos holofotes após a repercussão nas redes sociais em 2025. Dessa forma, a obra reacendeu discussões sobre os limites da arte contemporânea.
Além disso, o caso reforça a tendência de obras conceituais ganharem espaço em leilões internacionais, mesmo quando não apresentam forma física ou materialidade.
Comparações com outras obras conceituais
A banana de Maurizio Cattelan
Em 2019, o artista italiano Maurizio Cattelan apresentou a obra “Comediante”, uma banana colada na parede com fita adesiva. Em 2024, a peça foi vendida por R$ 35 milhões na Sotheby’s.
O comprador foi Justin Sun, fundador da plataforma de criptomoedas Tron. Ele declarou que a obra representava um fenômeno cultural que unia arte, memes e comunidade digital. Em seguida, prometeu comer a banana como parte da experiência artística.
Inspiração no Brasil
No Brasil, o artista plástico René Machado criou a obra “Vendo maçã a preço de banana”, inspirada no trabalho de Cattelan. Ele colou uma maçã e uma banana na parede e usou a música “Otário”, do grupo Exaltasamba, como trilha sonora em uma publicação nas redes sociais.
O que é arte?
Esses episódios levantam a questão sobre o que pode ser considerado arte. Por outro lado, críticos apontam que obras como a de Garau e Cattelan desafiam a noção tradicional de valor artístico.
Dessa forma, o debate permanece aberto: para alguns, o vazio ou o objeto banal podem ser expressões legítimas; para outros, representam apenas provocação.
