A economia argentina combina inflação mais controlada com perda de força da atividade, aumento da pobreza e desemprego elevado. Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostram que a estabilização dos preços ainda não se traduziu em melhora contínua dos indicadores sociais.
Em setembro de 2026, a inflação foi de 1,9%, e a alta acumulada em 12 meses chegou a 33,4%. No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,6% ante os três primeiros meses do ano, enquanto o desemprego atingiu 7,9%.
A inflação acumulada entre janeiro e setembro foi de 23,6%. O resultado mensal acelerou em relação a agosto, quando os preços subiram 1,7%, mas a taxa em 12 meses caiu ligeiramente, de 33,5% para 33,4%. A desaceleração significa que os preços sobem mais devagar, não que tenham caído de forma generalizada.
Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis tiveram a maior alta mensal em setembro, de 3,1%. Educação avançou 3%; comunicação, 2,5%; e saúde, 2,4%.
O Indec registrou pobreza de 32,3% da população no primeiro semestre, ante 28,2% no segundo semestre de 2025. A indigência alcançou 7,5%. O levantamento foi feito em 31 aglomerados urbanos, e 24,4% dos domicílios pesquisados estavam abaixo da linha de pobreza.
Também houve retração nos indicadores de atividade: o Estimador Mensal de Atividade Econômica caiu 2,9% em julho ante junho e 1,4% na comparação com julho de 2025. Exportações tiveram maior dinamismo, mas não compensaram a fraqueza do consumo, do crédito e dos investimentos.
Os números foram debatidos no Brasil durante confronto na Band entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Lula questionou a possibilidade de adotar medidas semelhantes às de Javier Milei; Flávio criticou as relações políticas do presidente brasileiro com Nicarágua e Venezuela.

