Aposentados com conta neste banco não poderão mais pegar empréstimos

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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) determinou a suspensão de novos empréstimos consignados para aposentados e pensionistas vinculados ao C6 Consig, empresa do mesmo grupo do C6 Bank. A decisão foi oficializada nesta terça-feira (17), por meio de publicação no Diário Oficial da União.

A medida foi adotada após auditoria identificar indícios de irregularidades em cerca de 320 mil contratos, com a inclusão de cobranças consideradas indevidas nos empréstimos.

Segundo o INSS, o banco descumpriu regras previstas no Acordo de Cooperação Técnica ao inserir taxas adicionais, seguros e serviços não autorizados nas parcelas descontadas diretamente dos benefícios dos segurados.

A prática é caracterizada como venda casada, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor, e teria reduzido o valor líquido recebido pelos aposentados.

Entre os casos analisados, auditores apontaram a inclusão de seguros no valor de até R$ 500 sem consentimento dos clientes.

Banco terá que devolver valores

Como penalidade, o INSS determinou que o C6 Consig devolva aproximadamente R$ 300 milhões cobrados indevidamente. A instituição só poderá retomar a oferta de novos consignados após comprovar a restituição integral aos beneficiários.

Além disso, o acordo que permitia ao banco operar diretamente com descontos em folha foi suspenso.

As irregularidades foram identificadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e confirmadas por áreas técnicas do próprio INSS. O caso também envolve histórico de decisões judiciais e acordos com o Ministério Público Federal relacionados a fraudes em contratos de consignado.

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que o banco movimentou cerca de R$ 20 bilhões em crédito consignado entre 2020 e 2025, ampliando sua carteira para mais de 3,3 milhões de clientes nesse período.

Orientação aos beneficiários

O INSS orienta aposentados e pensionistas a verificarem seus extratos para identificar possíveis cobranças indevidas, como:

  • seguros não contratados
  • previdência privada
  • cartões ou serviços adicionais
  • linhas de crédito sem autorização

Caso sejam identificadas irregularidades, a recomendação é procurar o banco e, se necessário, recorrer ao Juizado Especial Cível.

A suspensão segue por tempo indeterminado e faz parte de uma estratégia do governo para reforçar o controle sobre o crédito consignado e proteger beneficiários de práticas abusivas no sistema previdenciário.

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