Aplicativos públicos de emergência da Ucrânia e da Rússia foram invadidos durante a madrugada de hoje (2), provocando o envio de alertas falsos sobre ataques aéreos, químicos e nucleares. As autoridades dos dois países informaram sobre os incidentes.
Na Ucrânia, notificações começaram a ser transmitidas pouco antes das 23h de domingo (1º), para Kiev e outras regiões. Uma delas dizia que a Rússia havia lançado um míssil hipersônico Oreshnik, capaz de transportar ogiva nuclear, e que um alerta nuclear tinha sido declarado. Outras mencionavam radiação, armas químicas e risco de confrontos nas ruas.
A Força Aérea ucraniana afirmou pelo Telegram que o sistema aparentemente havia sido invadido por hackers russos. A corporação observou que as mensagens foram transmitidas em russo, embora o ucraniano seja obrigatório nas comunicações oficiais. O Ministério da Transformação Digital suspendeu temporariamente o aplicativo; sirenes e outros canais continuaram funcionando.
Incidente também na Rússia
Horas depois, a agência estatal TASS informou que o aplicativo do Ministério de Situações de Emergência russo também havia sido alvo de um ataque. Uma mensagem falsa dizia que ogivas nucleares tinham sido lançadas contra todas as regiões do país e recomendava estocar alimentos para três semanas e buscar abrigo em porões.
O grupo Atesh, identificado como pró-Ucrânia, publicou uma captura de tela do alerta no Telegram. O ministério russo afirmou que o aplicativo é uma fonte complementar, e não um dos principais canais oficiais, e disse que especialistas trabalhavam para restabelecer o serviço. A Reuters informou que não conseguiu identificar os responsáveis pelas invasões.
Os episódios ocorreram no mesmo período em que terminou um cessar-fogo local de seis dias no sul da Ucrânia, mediado por Melania Trump. A Ucrânia também enfrenta escassez de sistemas de defesa aérea, especialmente interceptadores Patriot. Os Estados Unidos anunciaram na sexta-feira (30) um acordo de US$ 2,1 bilhões para fornecer 500 unidades, mas duas fontes ouvidas pela Reuters disseram que a entrega poderá levar anos.

