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Brasil

Análises apontam possíveis espaços ocultos perto da tumba de Tutancâmon

Levantamentos geofísicos indicam possíveis corredores e câmaras perto da tumba de Tutancâmon, mas não confirmam que Nefertiti esteja enterrada no local.

Análises apontam possíveis espaços ocultos perto da tumba de Tutancâmon

Novas análises geofísicas no Vale dos Reis, no Egito, identificaram anomalias que podem indicar corredores e câmaras subterrâneas ainda não explorados perto da tumba de Tutancâmon. Os resultados reforçam a possibilidade de que a KV62 faça parte de uma estrutura maior, mas não comprovam a existência de uma tumba de Nefertiti.

O estudo, publicado em 17 de setembro nos Occasional Papers of the Amarna Royal Tombs Project, combinou radar de penetração no solo, microgravimetria e dados anteriores de tomografia de resistividade elétrica. Dentro da tumba, o radar foi usado junto às paredes da câmara funerária. Os sinais foram interpretados como possíveis indícios de um corredor com cerca de dois metros de largura, aparentemente preenchido por escombros.

Na área externa, mais de 1.200 medições de microgravidade foram feitas em aproximadamente 35 metros quadrados. Algumas regiões de menor densidade tinham formas retangulares e alinhamento semelhante ao da parede norte da câmara. Uma delas apresentava uma área menos densa com uma região mais densa no interior, configuração considerada compatível com uma possível câmara com objetos. Os autores, porém, afirmam que as medições estão próximas do limite de detecção do método.

As estruturas sugeridas poderiam se estender por 25 a 30 metros ao norte da câmara funerária, além de haver a possibilidade de uma área a oeste. Se existirem, os espaços talvez estejam ligados por passagens parcialmente bloqueadas por escombros. Eles também poderiam ter outra função, como armazenamento; apenas evidências arqueológicas diretas permitiriam determinar quem foi enterrado ali.

A hipótese de que a KV62 tenha sido construída originalmente para Nefertiti ou outro membro da família real foi proposta em 2015 pelo egiptólogo britânico Nicholas Reeves. A tumba foi descoberta por Howard Carter em 1922. Para verificar as anomalias sem interferir nas paredes decoradas, os pesquisadores propõem uma pequena perfuração e a inserção de equipamentos com câmeras. O procedimento depende de autorização do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito. George Ballard, um dos autores, disse que a investigação poderia começar em novembro caso a permissão seja concedida.