A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) notificou os operadores de dois aviões privados ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro para que esclareçam se houve transporte remunerado de passageiros. Segundo despacho da agência, as aeronaves de prefixos PP-BIO e PS-FSW não podem ser usadas para esse tipo de serviço. A Anac afirma que aguarda as respostas para avaliar eventual irregularidade.
O despacho foi assinado em 28 de outubro por Edvaldo Rodrigues de Oliveira, superintendente de Operações da Aviação Geral. A informação sobre a notificação foi divulgada pelo jornal O Globo. A agência quer saber a natureza dos voos realizados no período investigado por parlamentares.
Um dos aviões, o PS-FSW, pode ter sido usado em um voo de Brasília para São Paulo em 7 de agosto de 2025, data em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode ter viajado nesse trajeto. Registros enviados pela Inframérica, administradora do aeroporto de Brasília, à CPI do Crime Organizado indicam que Moraes acessou o terminal executivo naquele dia.
Na mesma noite, três aeronaves partiram de Brasília para Congonhas. Um Falcon 2000 da empresa FSW decolou às 19h16. Segundo documento consultado pela reportagem, o piloto declarou que Moraes não estava a bordo.
Um Phenom 300 da Prime Aviation partiu às 20h05 e chegou às 21h33; segundo a Anac, essa aeronave tinha autorização para táxi aéreo. O terceiro voo, às 20h29, foi feito por uma aeronave da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso.
O outro avião citado no despacho, o PP-BIO, também era operado pela Prime Aviation e não tinha autorização para táxi aéreo. Segundo a Folha de S.Paulo, Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, foram registrados como passageiros em um hangar de Brasília em 16 de outubro de 2025. Naquela data, o PP-BIO voou do local para o aeroporto de Catarina, em São Roque (SP).
Em nota divulgada em abril, o escritório de Viviane Barci afirmou que contrata serviços de táxi aéreo, entre eles, em algum momento, os da Prime Aviation, e que os valores eram compensados com honorários advocatícios conforme contrato. O Master firmou contrato com o escritório em fevereiro de 2024, no valor total de R$ 129 milhões por três anos. Na ocasião, o gabinete de Moraes afirmou que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel”. Procurada por meio da assessoria do STF, a equipe do ministro não respondeu até a publicação.

