# Alunos cegos esperam receber livros em braille no início do ano letivo

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- Published: 2026-11-02T07:35:39-03:00
- Author: Felip trends

Garantir que estudantes cegos recebam livros didáticos em braille junto com os demais
alunos é uma das cobranças para o próximo governo. Em 2026, o material não chegou
no início das aulas, apesar de alertas prévios de entidades que representam pessoas
com deficiência visual.

O Ministério da Educação declarou concluída a distribuição de 16.652 exemplares 
quando o ano letivo já havia passado da metade. Antes, o governo anunciou investimento
emergencial de R$ 27 milhões e prometeu entrega imediata, mas os livros chegaram
aos poucos. Foi a primeira vez, em quatro décadas do programa, que alunos cegos 
de todo o país começaram as aulas sem o material.

O calendário de 2027 também preocupa: o edital foi concluído no fim do terceiro 
trimestre, e a produção de um livro adaptado leva de seis a nove meses, entre transcrição,
revisão por especialistas cegos e impressão em relevo. A publicação tardia dificulta
que os exemplares estejam nas escolas na volta às aulas.

Os números sobre estudantes que precisam do material variam. Entidades estimam 45
mil alunos cegos ou com baixa visão em idade escolar, com base no IBGE. O Censo 
Escolar registra 6.996 matrículas, enquanto o FNDE considera 3.940 estudantes elegíveis
para a compra.

A senadora Mara Gabrilli apresentou um projeto de lei para obrigar que materiais
didáticos acessíveis, em braille e outros formatos, sejam entregues ao mesmo tempo
que os dos demais alunos. A proposta depende de tramitação e aprovação no Congresso.

Entre as cobranças para a próxima gestão estão publicar editais no primeiro semestre,
assegurar a entrega no ano letivo correspondente e divulgar quantos livros foram
produzidos e distribuídos, além do número de estudantes atendidos. A Lei Brasileira
de Inclusão já garante o acesso, mas a entrega no prazo segue como desafio.

Rodrigo Rosso, presidente da Abridef, defende que organizações e lideranças acompanhem
editais, entregas e dados oficiais. Para estudantes cegos, o acesso ao braille na
escola é parte da autonomia e da possibilidade de aprender sem depender de terceiros.
