# 2x o valor do Nubank: CEO da Revolut diz em que as fintechs são diferentes e como quer ganhar espaço no Brasil

- Link: https://nordeste7.com.br/2x-o-valor-do-nubank-ceo-da-revolut-diz-em-que-as-fintechs-sao-diferentes-e-como-quer-ganhar-espaco-no-brasil/
- Published: 2026-09-10T18:16:43-03:00
- Author: Felip trends

É quase impossível não comparar Revolut e Nubank. As fintechs britânica e brasileira
surgiram praticamente na mesma época, apoiadas em uma base tecnológica forte, oferecendo
serviços inovadores e mirando quebrar a barreira de incumbentes tradicionais, tanto
na Europa como no Brasil.

Nascida em 2015, em Londres, a Revolut atingiu em julho de 2026 uma avaliação de
US$ 115 bilhões – para não perder o hábito da comparação, é praticamente o dobro
do Nubank (US$ 74 bilhões).

Brincadeiras à parte, o CEO da Revolut no Brasil, Glauber Mota, diz que não se importa
com as comparações, mas faz questão de ressaltar que as empresas têm modelos de 
negócios essencialmente diferentes.

“Eles [Nubank] começam no Brasil, se estabeleceram aqui, para depois expandir para
algumas outras localidades. A gente optou por criar uma metodologia que permitisse
crescer de imediato em vários e vários países e depois aprofundar em cada um deles”,
afirma Mota em entrevista ao Money Minds, programa do Money Times no YouTube.

Hoje a Revolut está presente em mais de 40 países, com a ambição de chegar a 100.

Assista abaixo à entrevista na íntegra.

## Os prós de chegar depois

O executivo reconhece, porém, que o Nubank teve papel importante na formação do 
mercado brasileiro de bancos digitais — inclusive para a própria Revolut, que chegou
oficialmente ao país em maio de 2023.

Segundo Mota, quando o Nubank começou a crescer, o consumidor brasileiro ainda tinha
resistência a confiar seu dinheiro a uma fintech e estava menos acostumado a resolver
a vida financeira pelo aplicativo. Essa barreira, afirma, hoje já foi em grande 
parte superada.

“Nubank não há dúvida que é um case de sucesso aqui na região”, afirma Mota. “Ele
foi por muito tempo tratado como benchmark.”

Para o executivo, a Revolut se beneficia do trabalho feito anteriormente pelo concorrente
ao chegar a um mercado em que o consumidor já está familiarizado com serviços financeiros
digitais.

## Mercado em potencial

Outro ponto destacado pelo executivo é o crédito. A Revolut ainda tem uma exposição
pequena nessa área em relação ao volume de depósitos, o que, na visão de Mota, deixa
espaço para ampliar a operação no futuro.

“Tem que lembrar que a gente nem faz crédito ainda”, afirma. “Significa que a gente
tem um potencial a ser destravado ainda muito maior para o futuro.”

## Quem é seu público-alvo

A Revolut também não se enxerga necessariamente disputando o mesmo cliente do Nubank
em todas as frentes.

Mota afirma que a fintech procura atender um público que está entre dois extremos
do mercado financeiro brasileiro.

De um lado, estão consumidores no início da jornada financeira, para quem o crédito
de curto prazo é uma das principais necessidades. De outro, clientes de alta renda
acostumados a atendimento personalizado.

A Revolut mira, segundo o executivo, um consumidor que prefere o autosserviço e 
é sensível a preço, mas também quer benefícios que historicamente ficaram restritos
aos clientes de maior renda.

Em vez de concentrar a estratégia em uma única vertical, a Revolut busca reunir 
diferentes serviços financeiros em uma mesma plataforma.

No Brasil, isso significa competir em algumas frentes com bancos digitais e incumbentes,
em outras com casas de câmbio, corretoras e até cartões de crédito premium.

“No câmbio, eu estou competindo com as casas que fazem câmbio mais barato”, diz 
Mota. Nos pagamentos do dia a dia, a disputa inclui bancos tradicionais e digitais.
Já no segmento de cartões premium, a concorrência é com produtos voltados à alta
renda.

## Brasil como teste para a estratégia global

A disputa com empresas brasileiras também tem uma função maior na estratégia da 
Revolut. Mota afirma que o Brasil é um mercado importante não apenas pelo tamanho,
mas porque serve como laboratório para a operação global.

O país tem uma das infraestruturas de pagamentos mais desenvolvidas, com o Pix como
principal exemplo, e um consumidor considerado receptivo a novas tecnologias. Ao
mesmo tempo, é um dos mercados mais competitivos para serviços financeiros digitais.

“Querer vencer no Brasil significa provar um case de negócio muito relevante”, afirma
o CEO.

Por isso, a ambição da operação brasileira não é apenas conquistar uma fatia do 
mercado local. Mota afirma que gostaria de ver o Brasil entre os três ou cinco principais
mercados da Revolut nos próximos anos — uma ambição pessoal, segundo ele, e não 
uma meta oficial da companhia.

Na prática, portanto, a competição com o Nubank é apenas uma parte da estratégia.
A Revolut quer disputar diferentes verticais do sistema financeiro ao mesmo tempo,
mas usando como principal argumento a combinação de serviços globais, câmbio, investimentos
e benefícios.

“Se você misturar isso tudo, espalhar no mundo inteiro, é isso que a Revolut está
fazendo”, resume Mota.
